Síndrome de Barbie. - Adolescência Alternativa

Síndrome de Barbie.

"Milhares de garotas vivem em busca da perfeição. Prova disso são os números que mostram a grande procura pelas intervenções estéticas e cirurgias plásticas no Brasil. Entre 1994 e 1999, o número de plásticas em adolescentes de 15 a 20 anos passou de 5 mil para 30 mil - um aumento de 600%. Coisa pouca, já que, nos últimos nove anos, o aumento foi de 1000%. O excesso de vaidade entre as brasileiras é tanto que pode se tornar uma doença. Tudo começa com algumas maquiagens e, quando você vê, já está cheia de creminhos para o rosto e depois se pega dizendo que adoraria ter o nariz de tal cantora ou que queria muito colocar silicone. Tudo bem ter alguma inspiração ou exemplo a seguir. O problema começa quando você não consegue diferenciar a sua vida da vida do artista. Ser gordinha, por exemplo, já foi moda, assim como estar abaixo do peso já saiu de moda. "O padrão da moda muda e passa deixando sequelas físicas e emocionais" explica Carla Souza Pérez, médica cirurgiã da Sociedade Brasileira de Laser e Medicina Estética e autora do livro Beleza Sustentável. "Atendo adolescentes magras e que querem diminuir 3 cm no quadril, pois leram em algum lugar que o padrão de medida do quadril de uma modelo é abaixo de 90 cm." A verdade é que ninguém nunca vai agradar a todo mundo."

Quando a vaidade vira doença.
Se você é extremamente encanada com a sua aparência, usa milhares de de cremes para tudo e já pensou em fazer diversas mudanças no corpo, fique atenta, você pode sofrer de dismorfofobia, a doença que explica o comportamento - e o nariz - do Michael Jackson, sabe como? Também chamada de síndrome da distorção da imagem, a dismorfofobia é um transtorno psicológico caracterizado pela preocupação obsessiva com algum "defeito" inexistente ou mínimo na aparência física. A pessoa se olha no espelho e sempre se sente feia, independentemente do que fizer. Esta fobia está cada vez mais relacionada às transformações que rolam na puberdade e o pior: descobrir que se tem a doença pode ser um desafio. Exagerar nos cosméticos para disfarçar imperfeições, ter muitos cuidados com os cabelos, fazer dieta, apresentar bulimia ou anorexia, praticar exercícios exageradamente e usar roupas que escondem o corpo são algumas características de quem sofre com a doença. A dosmorfofobia pode ser desencadeada por diversos fatores como, por exemplo, baixa auto estima, uma infância com muitas críticas e até mesmo a grande exibição de figuras padrões do grupo em que a garota convive.

Limites Saudáveis
Para começar a pensar na possibilidade de realizar alguma transformação física, é preciso considerar se a sua "imperfeição" realmente prejudica a saúde ou o desenvolvimento social e emocional. Intervenções a fim de auxiliar o bom desenvolvimento do corpo podem ser feitas sem medo. Assim, quem tem mamas muito grandes, que dificultam muitas vezes atividades comuns, pode tê-las corrigidas precocemente. Esse foi o caso de Gabriela Souza. A estudante sempre foi baixinha e com pouco quadril, portanto, achava que os seios eram grandes demais para o seu corpo. E realmente eram. Ao procurar um ortopedista para saber qual a razão de sentir tanta dor nas costas, Gabi descobriu que o tamanho e o peso de seus seios eram os reponsaveis pelo incômodo. Então ela conversou com os pais e, juntos, decidiram que diminuir os seios seria a melhor opção. "Eu morria de vergonha! Sentia-me muito infeliz. Tentava esconder os meus seios de todas as formas possíveis. Usava blusa de frio até no calor. Meus pais e amigos sempre diziam que era bobeira, mas pra mim nunca foi bonito. Minha auto estima era muito baixa", conta Gabi, que admitiu não ter sido fácil encarar uma cirurgia dessas. Ela sentiu dor, passou mal e teve de ter muito cuidado com os curativos, mas, mesmo assim, ela garante que valeu a pena. "estou muito mais feliz! Minha auto estima aumentou. Hoje em dia posso olhar no espelho e me sinto bem. Não tenho mais vergonha de usar certas roupas e, agora, uso biquíni sem camiseta por cima. Meus seios estão proporcionais ao meu corpo."

A escolha certa
A estudante Carolina Ronelli, colocou silicone, mas pesquisou muito antes de tomar a decisão. "Resolvi me aprofundar sobre o assunto. Fui saber como funcionava e os riscos", explica Carol. "A minha dica é lembrar-se sempre de que você é a primeira pessoa que tem de se achar bonita. Não faça nada pelo que os outros vão achar de você. Faça para você!" Então, antes de encarar um procedimento estético, verifique se esgotaram as outras possibilidades de reparar ao que a incomoda e, então, procure uma ajuda psicológica para entender melhor sua decisão. Só assim poderá fortalecer ou desistir da ideia.