Quando tudo acontece de repente.. - Adolescência Alternativa

Quando tudo acontece de repente..

Oii meninas, vim inspirada hoje falando de livros (até que esse é meio antiguinho, mas é muito bom), e com novidades, primeira, vou ser autora no blog Antes dos quatorze, ee.. uma nova parceria com o Trechy Teen, bom, era só isso, vamos falar do livro então..

Sobre o livro
 "Existe um tempo na vida que tudo acontece de repente. Num piscar de olhos parece que tudo muda. Dentro e fora da gente. O mundo fica complicado. Tudo o que se quer é explicação. São mil perguntas sem respostas. Solidão. Vontade de gritar. Há necessidade de tempo. Só que ninguém no planeta consegue nos entender. E isso pode durar alguns instantes ou uma eternidade, é um alivio descobrir que não somos os únicos a ter essa sensação.
 Foi pensando nisso que Anna Cláudia Ramos idealizou a Coleção Entretempos e propôs a uma de suas turmas de oficina literária escrever os contos que compõem a coleção. Em Quando tudo acontecer de repente, Flávia Côrtes, Lila Maia, Marília Pirillo, Sandra Pino, Suelli Boson e Anna Cláudia falam da vida, dos sentimentos, das dúvidas, dos vazios, dos entretempos..."


 "MENINA, VOCÊ É MESMO MUITO SORTUDA!- Ah, quem dera se o Marcelinho me desse esse mole todo!- Ele é muito gato!- Olha o que é aquela coxa! Luiza nunca tinha reparado na coxa do Marcelo. Aliás, ela nem sequer tinha reparado nele até ontem. No começo do ano, quando entrou na escola nova, só estava preocupada em conhecer meninas da sala e se enturmar. Por sorte, logo na primeira semana a Júlia chamou Luiza pra ficar na rodinha das garotas da 801. Elas eram quatro e andavam sempre juntas. Riam. Falavam alto e gostavam de chamar atenção. Não se ligavam muito nas aulas, mas sabiam tudo da vida de todo mundo. Luiza era um pouco mais quieta, um pouco mais estudiosa e um pouco menos interessada na vida alheia. Mas, como queria muito começar uma nova fase na sua vida, precisava se enturmar com as pessoas certas.
 Andando com Ju, foi, rapidinho, conhecendo tudo mundo e ficando conhecida também! Orgulhava-se disso. Na sua escola antiga nunca tivera oportunidade de ser popular. Quem diria? Luiza, que era um bichinho do maro, que sempre sobrava nos trabalhos em grupo, que não era convidada para os aniversários, agora tinha uma chance! Tudo estava indo bem, ela não podia dar bobeira. Por isso, naquela manhã, no ginásio, prestava muita atenção no que as amigas diziam.- Luiza, ele não para de olhar pra cá!- Viu? Ele sorriu pra você!- Nossa, que sorriso!Marcelo era alto, forte, bronzeado. Andava sempre com uma turma de garotos que, como ele, adorava esportes, principalmente surfe. Luiza nunca tinha conversado com ele. Devia ter ouvido sua voz umas duas ou três vezes. Três. A primeira, na cantina, pedindo um lanche. A segunda, outro dia quando subia as escadas correndo e esbarrou nele. Luiza pediu desculpas sem nem o olhar, mas percebeu que ele riu quando disse "Foi nada, mina". E a terceira foi ontem, no recreio, quando passou com as amigas pela turma dele. De repente, do nada ele olhou para ela, sorriu e disse oi. Foi nesse instante que tudo começou.
 - Menina, eu vi direito? O Marcelinho te deu oi?- Me belisca!- Não esconde o jogo Luiza, conta logo! De onde você conhece o Marcelo?- Você já conversou com ele, é?- E nem contou pra gente?!!!!- Fazendo cara de santintiiiiiinha, hein... -Já saquei, você ta afim dele! - E vocês viram o oi que ele deu pra ela? OOOOOOOIIIIIIIIIII... -Ta na cara que ele também tá afim de você!- Mas eu... eu nem... Luiza não conseguiu falar. Estava achando tudo aquilo um exagero. Ela nunca, nunquinha tinha falado com o tal Marcelo e o mais perto que já tinham estado foi no dia do esbarrão. Olhou discretamente para o garoto. E não é que justo na hora ele estava olhando pra ela?! Luiza ficou vermelha.- Gente, eu nem sei quem é esse carinha!- Como assim não sabe quem é o Marcelinho?!- Ele é da turma do Nicolas, o meeeeeeeeu amor.- Ele gosta de surfar, de jogar basquete...- Ano passado ele ficou umas três vezes com a Verônica, aquela loira metida da sala dele.- Mas eles não namoraram. Ele é o maior gaaaaato da escola.
 - Gente, eu acho que voc~es piraram. Foi só um oi, nada de mais! Luiza tentava acalmar as garotas e também se acalmar quando o sinal bateu e elas voltaram para a sala de aula.- Me empresta a borracha? Era o Lucas outra vez. Ele vivia pedindo coisas.  Lápis, caneta, borracha, régua, apontador... Lucas sentava ao lado de Luiza e andava sempre com uns garotos que as meninas diziam ser uns abobados porque só sabiam falar de games. Luiza não achava que o Lucas era abobado, mas era bem abusado, isso sim. Se ela estava mascando chiclete, ele perguntava: "Tem um pra mim?". Se estava fazendo o exercicio de espichava o olho: "Me dá a resposta da 5?" Luiza bem que cortava, mas nunca com muita rispidez. É que, toda vez que ela se virava pronta para uma resposta malcriada, dava de cara com aqueles imensos olhos castanhos e suas longas pestanas. E aquele sorrisinho de canto meio sem graça e meio debochando que só o Lucas sabia fazer. Era aquela cara de cachorro sem dono que desarmava a Luiza.- Toma, seu pidão. E vê se não me enche mais. A verdade é que Luiza já estava até acostumada com o jeitão do Lucas e, naquele dia, depois do que tinha rolado com o Marcelo, ela alcançou a borracha sem nem levantar os olhos do livro. E foi assim que ela não percebeu quando a Ju pôs um bilhetinho sobre a sua mesa. Luiza só reparou quando o Lucas passou amão no pedacinho de papel e começou a rir.- Posso ler?- Nãããão.- Poxa, só uma espiadinha... Luiza ficou furiosa . O Lucas tinha passado dos limites. Levantou e tentou pegar o bilhete da mão dele.- Luiza?! O que houve? Algo errado? A professora de história havia interrompido a explicação e olhava para ela com ar contrariado. Luiza se encolheu na cadeira.- Desculpe. Não foi nada não, professora. Luiza estava vermelha, suando. Olhou oara o Lucas de canto de olho. Ele estava sério, oljhando para a frente, fingindo concentração. Pirralho abusado! Depois de um século, o sinal finalmente tocou avisando o final da aula."

Espero que gostem do livro, até amanhã meninas!